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Dobra o número de franquias brasileiras no exterior

Dobra o número de franquias brasileiras no exterior

Em seis anos, o número de redes com unidades fora do País passou de 65 para 138. Panorama econômico tem favorecido a exportação, mas é preci

03/04/2017 – Entre 2012 e 2015, 80% do crescimento das 200 maiores franqueadoras norte-americanas foi baseado em unidades abertas fora dos Estados Unidos. A rede que mais cresceu internacionalmente nos últimos dez anos foi a 7-Eleven, com mais de 27 mil unidades, seguida do Subway, com mais de 12 mil. As informações são da revista especializada Franchise Times. “Internacionalizar é o que faz com que o franchising norte-americano continue crescendo bastante. Crescer está no DNA de toda empresa franqueadora”, afirma o diretor internacional da ABF, André Friedheim.

O Brasil possui quase o mesmo número de redes que os Estados Unidos, são 3.038 contra 3.828, mas a internacionalização ainda é bem inferior ao da terra do Tio Sam: 138 redes brasileiras possuem operações no exterior, sendo que oito apenas exportam produtos. “Não é uma questão de tempo de existência da rede, é uma forma de mentalidade do franqueador, que permite nascer born global (nascer global, em tradução livre)“, explica a professora do Programa de Mestrado e Doutorado em Gestão Internacional, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Thelma Rocha.

As fronteiras abriram-se para o Brasil com a projeção internacional da economia, nos últimos anos. Agora, com o desaquecimento recente, as marcas enxergam oportunidades de manter ou acelerar o ritmo de crescimento com operações em outros países. “É um processo complexo, em que a preparação prévia é fundamental. Se observarmos os últimos meses, veremos que o número de unidades de franquias brasileiras no exterior continuou crescendo, mas o número de marcas nacionais com presença fora do País cresceu em velocidade menor“, complementa o coordenador de internacionalização da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Juarez Leal.

No forno: A ESPM pretende lançar em breve um estudo que mapeará o modo de pensar de redes brasileiras que sejam criadas com aspiração à expansão internacional, o que é denominado de born global.

 

Hora de partir

A instabilidade econômica motivou a Moldura Minuto a buscar outras fontes de faturamento fora do País. Em 2016 a rede abriu lojas na Bolívia, Uruguai e Paraguai e agora se prepara para abrir a primeira unidade em Miami, nos Estados Unidos.

 

Saiba Mais: De acordo com o Ranking FDC de Internacionalização de Franquias, o atual contexto político e econômico do País afetou, de alguma forma, 74,5% das franquias que tinham planos de internacionalização para 2016. A medida adotada por 78% destas empresas foi aumentar os investimentos na expansão internacional.

 

Atualmente, as unidades internacionais representam de 7% a 8% do faturamento da Moldura Minuto. O diretor comercial da rede, Antonio Carlos Viégas Filho, projeta uma participação de 30% das unidades norte-americanas em até quatro anos. “Priorizaremos a expansão nos Estados Unidos após a maturação. Temos 70 franquias no Brasil e vamos abrir 30 esse ano. A ideia é chegar a 140, no máximo, não dá para ter mais do que isso“, explica.

 

Franquia direta: Na América Latina, a Moldura Minuto adotou o modelo de franquias diretas, sem exclusividade no país. Já para os EUA a expansão será por loja própria.

 

Ao contrário da Moldura Minuto, muitas marcas ainda enxergam oportunidades de expansão no mercado nacional e não pensam em exportar. Na visão do diretor da consultoria Netplan, Daniel Bernard, o brasileiro é um exportador experimental, por se tratar de um território amplo. “O mercado interno é grande em quase tudo. O franqueador vai porque quer ir para fora e dificilmente porque precisa“, afirma.

 

Voz da experiência

A marca brasileira com presença em mais países é a iGUi Piscinas. A empresa iniciou a internacionalização há dez anos, com unidades na vizinha Argentina e recentemente inaugurou sua máster-franquia no Paraguai. “O choque cultural pode ser o maior dos desafios”, afirma o diretor internacional da empresa, Marcelo Pazos.

 

Hermanos: De acordo com a FDC, a América do Sul foi o primeiro destino de internacionalização para 57,2% das franqueadoras que operam no exterior, seguido da América do Norte, com 14,3%.

 

Nos últimos três anos a rede experimentou o crescimento mais expressivo: passou de 15 para 40 países. A marca projeta inaugurar sua primeira loja na Oceania em breve. “No Brasil temos 350 lojas e no exterior 200, mas a média de venda por piscina não é a mesma“, explica Pazos.

As franquias internacionais representam entre 15% e 20% da receita total da empresa. “Adaptamos o modelo para cada país. Normalmente entramos com franquias unitárias, de venda de piscina, depois evoluímos para máster-franquia“, detalha.

A Carmen Steffens iniciou a expansão internacional em 2000 e já está com 42 lojas em 18 países. A meta da rede é chegar a 150 pontos, em 35 países, em 2030, e mais do que dobrar a presença das internacionais no faturamento global da rede: passar dos atuais 8% para 20%. A estratégia é instalar um ponto próprio no país de interesse, atuar por dois anos e depois revender. “Aprendemos que é preciso chegar, se estabelecer, se fazer reconhecido e depois franquear. Os dois primeiros anos demandam alto investimento de gestão estratégica da marca e deve ser feito pelo franqueador“, explica o proprietário da rede, Mario Spaniol.

Apesar do forte apelo de internacionalização, Spaniol garante que a marca não fechou os olhos para o mercado nacional: o Brasil está incluso na meta de mil lojas até 2030.

 

De malas prontas

Alguns franqueados da Mr Cheney têm sondado o fundador, Lindolfo Paiva, para levar a unidade para fora do País. Paralelo a isso, o executivo tem participado dos eventos promovidos pela ABF e Apex-Brasil para estudar o mercado internacional, conhecer fornecedores e provedores de pontos de venda. A expectativa é inaugurar simultaneamente na Argentina e Estados Unidos no primeiro semestre de 2018. Já há candidatos no Peru e Chile, também.

Paiva comenta que a fabricação continuará em solo nacional, com exportação para as unidades internacionais. “Sobra mais energia para investir no negócio“, afirma.

Leal, da Apex, lembra que o momento econômico ou possíveis oportunidades momentâneas não podem ser os principais motivadores para a internacionalização. Para ser bem-sucedida, a exportação deve ser um movimento de longo prazo, que considere o comprometimento da marca com divisas e despesas em moeda estrangeira. “A nossa experiência é que um projeto de internacionalização pode tomar de três a cinco anos para se tornar sustentável, ou seja, ele não pode ser guiado por uma oportunidade, mas sim por um objetivo bem definido de longo prazo orientado para determinado mercado“, aconselha.

 

Marcas brasileiras participam de rodadas de conteúdo e networking, em Miami

A Apex-Brasil e a ABF são parceiras em um projeto de capacitação e promoção comercial com mais de 50 marcas de franquia que visam a internacionalização. Os empresários têm acesso a potenciais parceiros em feiras de franquias internacionais.

A colaboração também traz investidores internacionais para a ABF Franchising Expo, em São Paulo, para conhecer localmente as operações brasileiras. “Mais recentemente, a nossa parceria tem garantido acesso das marcas brasileiras ao programa de internacionalização da Apex-Brasil, que contempla entre outras ações, missões de internacionalização e atendimento customizado“, explica o coordenador de internacionalização da Apex-Brasil, Juarez Leal.

No último mês de janeiro, Apex e ABF promoveram uma agenda conjunta para 12 marcas em Miami, nos Estados Unidos. Na ocasião, os executivos tiveram acesso a conteúdo e networking qualificado para o processo de internacionalização. “Além de visitas técnicas a franqueadoras, como sempre fazemos em nossas missões, queríamos criar um maior vínculo entre as empresas brasileiras e o escritório da Apex, em Miami“, explica o diretor internacional da ABF, André Friedheim.

 

Rápidas

A primeira unidade internacional do Instituto Embelleze acaba de ser inaugurada no Equador. O investimento foi de US$ 200 mil e a operação tem capacidade para 1,5 mil alunos. Ainda há planos de abrir a primeira unidade nos Estados Unidos, ainda em 2017.
 

No último mês de janeiro, a Sóbrancelhas inaugurou a primeira unidade na Argentina, com o nome de Sólocejas. A meta é abrir 30 unidades no vizinho em até 18 meses e incrementar a receita global da marca em 17%. Para isso, apostou em uma máster-franqueada brasileira, que tocará a operação por lá. Bolívia, Colômbia e Chile também devem ganhar unidades ainda este ano.
De acordo com o Ranking FDC de Internacionalização de Franquias, a Puket se destacou em 2016, com um aumento de 67,3% no índice de internacionalização. A rede entrou para novos mercados na América do Sul e aponta o Oriente Médio como o principal destino.
 

Avanço na internacionalização depende do franqueador

A presença de franquias brasileiras no exterior dobrou nos últimos seis anos, mas é importante notar que o estágio de internacionalização (países com unidades em operação) também cresceu. O resultado foi apresentado na última edição do estudo Global Mindset de Internacionalização das Franquias Brasileiras, realizado pela ESPM, em parceria com a ABF.

Isso se explica pela mudança de pensamento do franqueador nos últimos anos, segundo Thelma. “Ano após ano vemos que o setor vem amadurecendo. Os proprietários deixam claro que, mesmo estando bem no mercado brasileiro, visam o mundo para expandir. A crise, de certa forma, acentuou isso, com franqueados e franqueadores cogitando levar marcas ou unidades para fora“, afirma.

A especialista explica que ainda há um contingente de 20% de empresários que abrem a unidade no exterior, mas desistem. “Não pensam no produto, na marca ou no mercado local. Quando percebem, veem que o negócio não tem nada a ver com a unidade brasileira“, explica.

 

Franquias no exterior ganham poder de decisão

A autonomia das franquias brasileiras que atuam fora do País muda em relação às internas para 71,4% das redes, segundo o Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras, elaborado pela Fundação Dom Cabral.

Isso significa que unidades instaladas em países com cultura muito diferente da brasileira, quando há instabilidade econômica ou ainda quando o país é favorável ao modelo de negócios da franquia, têm maior peso nas decisões que envolvam a marca localmente.

O grau de autonomia aumentou para 21,5% dos respondentes nos últimos três anos. 71,4% não tiveram alteração significativa.

 

As redes mais internacionalizadas*

Marca
Quantidade de países
iGUi Piscinas
40
Carmen Steffens
18
Localiza
7
Fábrica di Chocolate
6
Puket
6
Hering
3
Bob’s
2
Spoleto
2
Vivenda do Camarão
2
*Associadas à ABF

Fonte: Ranking FDC

 

Índice de unidades internacionalizadas*

Marca
Índice
Localiza
28,6%
iGUi Piscinas
21,9%
Fábrica di Chocolate
12,5%
Carmen Steffens
7%
Puket
4,6%
Spoletto
2,5%
Magrass
2,5%
Vivenda do Camarão
2,5%
DepylAction
2,1%
*Associadas à ABF

Fonte: Ranking FDC

 

Matéria publicada na seção Internacionalização da Revista Franquia & Negócios ABF nº 72 (página 62)

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